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Síndrome da abelha

Certa vez em uma aula sobre ética foi-se levantado o questionamento sobre ser autoritário e sobre autoritarismo. Logo as sugestões aparecerem... E uma que  chamou muito a atenção pela sua coerência foi a seguinte. Um aluno pontuou que a autoridade envolve conhecimento. Nas hierarquias é necessário que se tenha uma autoridade, para por ordem. Já o autoritarismo é justamente o contrário. É a falta de conhecimento. E a usamos de forma arbitrária.

E após essa explanação o professor seguiu sua aula: Autoridade é algo que um sujeito tem por possuir determinado conhecimento, está ligado à liderança, postura, comando; é a base de certos tipos de organização hierarquizada. Ela refere-se a uma prática pró-social que tem como objetivo levar as pessoas a perceberem e respeitarem as normas da sociedade, julgando sua legitimidade e avançando no desenvolvimento da democracia, no estabelecimento do bem maior. O autoritarismo, ao contrário, está ligado às práticas antidemocráticas e antissociais; é a imposição de algo pela força, e geralmente as decisões se restringem às vontades do próprio indivíduo ou de pessoas estritamente ligadas a ele – seja no âmbito pessoal, profissional, acadêmico, governamental.

Quando existe autoridade, as pessoas agem motivadas pelo líder que a detém, visualizando o alcance do objetivo. Quando é o autoritarismo que prevalece, as pessoas também agem, porém não existe respeito, se faz porque precisa da oportunidade e não tem outra opção, o que gera o medo e vai de contramão ao incentivo e parceria.

E após a fala do professor muitas comentários surgiram. Uma outra aluna levantou e disse que é uma linha muito tênue entre esses dois caminhos. E que, infelizmente, as pessoas acabam se utilizando do autoritarismo. E ilustrou a situação dizendo que no jornal onde o seu pai trabalha, aconteceu tal situação. A dona lhe ordenou que fizesse algo que não era da sua alçada. O pai informou que não seria possível. Logo, tão irritada, a dona do jornal impôs que ele fizesse pois estava pagando o seu salário. Como se ele fosse obrigado a fazer qualquer tipo de coisa por estar subalterno na posição hierárquica.

E finalizou dizendo que a chefe do pai sofre a síndrome da abelha, pois pensa que é rainha mas na verdade é só um inseto.

E foi aquele auê e burburinhos na sala de aula. Pois quem é justo logo fica indignado com esse tipo de situação.
E a ilustração serviu claramente para mostrar que ali foi-se utilizado de um autoritarismo desnecessário. Usando a força, o poder, ao invés do diálogo, do companheirismo, do estar junto, somos uma equipe, eu faço parte tão quanto você. Não faço nada sozinho, juntos fazemos o jornal crescer.

Um outro aluno disse: - Podemos dizer que o autoritarismo é o modo ruim ou desqualificado de se exercer a autoridade quando se está numa posição de liderança ou comando, pois esta posição não confere à pessoa ou à organização a condição de idônea, sem risco algum de se corromper em determinado momento, em determinada área.

E o burburinho se estendeu.
Outro disse que na casa onde a sua mãe trabalha ela é super bem tratada. A família a convida para almoçar à mesa junto com eles, que a trata como se fosse da família, que a elogiam e agradecem sempre por cada detalhe que ela faz. Como almoço, deixar o banheiro limpo, roupas lavadas, casa organizada. E a mãe dele se sentia super bem e feliz lá. E diz pro filho que não quer pensar em sair daquele trabalho nem tão cedo, pois lá se sente em casa e valorizada. Algo que está cada vez mais distante nos dias atuais.

E foi o ponto alto da aula. O professor ficou muito feliz com as colaborações. E pode pontuar justamente a diferença entre um e outro. Quando se usa do autoritarismo quando não se tem argumentos e se acha que só pelo fato de estar pagando um mísero salário e nada mais pode agir de maneira agressiva e cheio de imposição, como foi no caso do jornal. E a diferença, o bem estar físico e emocional de quando se trata com autoridade mas com carinho, estando junto, se incluindo, trabalhando de maneira horizontalizada, quando se coloca junto no barco.

Assim sendo, a autoridade ela vem sendo construída com o tempo, pois você participa ativamente, não aparece de vez em quando apenas para dar ordens. Mas participa de todo o processo. É aí que se ganha o respeito. E a aquisição dos conhecimentos se transforma em sabedoria, e o estabelecimento de regras e normas acontecem sem ter que impor.

É importante demonstrar uma visão de futuro, mostrar-se inovador e aberto as contempoiraneidades, ser capaz de praticar atitudes éticas, corretas. E só assim a figura de autoridade se tornará maior e mais respeitada de acordo com o valor que atribuímos a ela.

E os alunos eufóricos aplaudiram muito. Pois foi uma aula maravilhosa e esclarecedora. Mas antes do fim o professor ainda pontuou que ali foram apresentadas questões profissionais. Mas que a autoridade e autoritarismo estão presentes em outras ramificações da nossa vida e sociedade, como nos relacionamentos amorosos, de amizade, religiosos... Basta compreendermos a diferença entre ambos e construirmos um ambiente sadio para nós e para os outros. Que possamos ser exemplo de conduta, sermos lembrados pelos bem feitos, e não como uma abelha, um inseto indesejado. E os aplausos foram ainda mais além. Professor e alunos muito emocionados encerraram aquele dia com o coração leve pela lição aprendida pra toda a vida.

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